Adão Melges

Adão Melges, e o início da primeira geração brasileira

Por Ulysses Melges

Adão, é o primeiro patriarca da família Melges à nascer no Brasil – em Petrópolis em 1846- , e como seu pai, morou em várias cidades onde nasceram seus irmãos, não tem portanto um lugar destinado onde foi criado.

Quando moço, era alto, físico forte, pele vermelha, olhos azuis, e casou-se em Campinas com Zepherina Hoffmann, suíça, também com caraterísticas alemã, a qual, mesmo depois de velha, nunca falou um Português corrente, sempre naquele sotaque Europeu.

Adão e Zepherina, tiveram 11 filhos, cinco homens e sete mulheres, os quais casaram-se, proporcionando-lhe 68 netos e 183 bisnetos. Deste casamento nasceu a maior família de Melges brasileiros, e continua sendo até hoje, apenas que, a maior parte de seus descendentes, vem das filhas mulheres e não assinam Melges, mas sim assinam os nomes de seus pais e seus maridos, tais como, Moreira, Fogaça, Andrade, e Pacheco Jordão.

Adão em seu caráter, tinha aquele timbre germânico enérgico, e em suas ordens era irrevogável. Era cumpridor de seus deveres em todos seus atos, não admitindo, atos desonestos, e de covardia. Conhecemos muitas de suas histórias, todas verídicas, que deixamos de contar, por serem na época de hoje, um exagero inacreditável frente aos costumes atuais.

Adão faleceu de varíola conflitante em 1901, e durante boa parte do tempo de sua vida Gerente Geral de uma rede de fazendas na região de Torrinha, de um senhor latifundiário, de nome Lacerda Franco. Ele se destacou na região de Torrinha, não como político, o que ele não era, mas pela sua capacidade administrativa, e por possuir a técnica de produzir café fino para exportação, que valia ouro na época.

Adão foi em Torrinha, um guarda chuva para sua família, na última década de sua vida, por precisar de pessoas de confiança na sua administração e em vários setores, transportes e outros. Naquela época, principalmente nas regiões serranas, o único meio de transporte era o lombo de burros, tropas arriadas, ou seja cargueiros, como se usa até hoje no nordeste. Note-se que a tropa de cargueiros, era para a época, como as frotas de caminhões são para a nossa era, e numa fazenda de grande porte como a de Lacerda Franco, havia transportes para várias tropas, transportando em cada burro, 2 sacos de 60 quilos.

Dois irmãos de Adão foram tropeiros. Amaro o foi temporariamente, depois passando para comerciante em Torrinha; João e Jacinto, foram tropeiros por vários anos. Salvador e Amaro, foram administradores de fazendas, e Pedro foi durante toda sua mocidade, mecânico de estrada de ferro em Piracicaba. Adão foi uma das vítimas do vírus da varíola, quando Torrinha sofreu o grande choque desta epidemia; quando então morreram só na família de Adão, diversas pessoas, dentre eles, seu filho mais velho, Joãozinho, sua filha Augusta, seu genro, José Elias de Godoy, e um camarada que era acompanhante de Adão. Todos foram enterrados todos no mesmo local, onde estão até hoje, em um pequeno cemitério em forma triangular, totalmente murado, atrás do cemitério municipal de Torrinha.

Com a morte de Adão, e sua substituição na fazenda por outro administrador, se desfez a unida família Melges na região de Torrinha, esparramando-se pelas cidades de Brotas, Dois Córregos, e outras.

Adão tinha o seu lado enérgico e exigente, mas era muito humano, mas segundo nossos antepassados, produziu mais flores do que espinhos. Se lazer, aos sábados a noite, era ir para Torrinha, onde ficava até altas horas, num jogo de roleta com amigos, e esse era o único vício que se permitia, junto com a sua bebida predileta importada, chamada Bither.

Dizem alguns dos antigos, que o camarada que está enterrado no mesmo local com Adão, era seu guarda costa, outros dizem que era apenas o seu cocheiro, mas a realidade era que tal pessoa cuidava de seu cavalo, e o acompanhava por toda a parte, devendo apear primeiro, pegar as rédeas do cavalo de Adão, e ficar segurando todo o tempo que fosse preciso. Considere-se que isto era normal na época, quando o respeito pelos chefes era muito mais importante que em nossa época, e quando o único meio de transporte individual, era o cavalo, e para as famílias, era o trole. Adão com sua morte, pouco deixou para a família, apenas uma pequena fazenda que estava abandonada e ele arrematou para ficar para os filhos e para a família. Inácio Melges, pai e Ulisses, foi o primeiro que foi para lá, necessitando ainda de desbravar o matagal, que já havia ocupado o casarão. Depois da morte de Adão, a família chegou a morar lá temporariamente.

Por fim, Carlos (Carrito), reformou a casa e lá permaneceu durante anos, ficando com a fazenda, que foi vendida, quando Carrito faleceu de uma morte súbita, com problema de coração.

O traje normal de Adão era, terno de varjão, um tecido mesclado que era o uso na época, chapéu estilo cartola, e botas importadas, morava no casarão da sede da fazenda, onde ficava os patrões e seus amigos quando vinham a fazenda, haja vista que eles moravam em São Paulo. A família de Adão, gozava de um nível de vida bom, como todos os administradores. Adão queria mudar-se para Campinas, pois seus filhos estavam tornando-se maiores, e queriam ter novas oportunidades, como já tinha acontecido com seu 1º filho João e seu genro, José Elias de Godoy, que tinham conseguido formar-se como escrivães.

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