Alemanha Os Idiomas Germânicos

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Estados alemães

Alemanha: Em termos de idioma, atualmente a língua oficial principal da Alemanha é o Alto Alemão (Hochdeutsch), apesar de serem reconhecidas línguas minoritárias.

Este idioma recebe este nome, não por ser uma língua mais culta ou mais perfeita que as línguas minoritárias, mas por ser a língua falada nas regiões topograficamente mais altas da Alemanha.
Até 1871, a região conhecida hoje como Alemanha era uma reunião de pequenos reinos, virtualmente independentes, sendo unidos somente pela origem de suas línguas. Por este motivo existem na Alemanha também uma diversidade de dialetos falados ainda nos dias de hoje.

Muitos destes dialetos foram trazidos para o Brasil junto com os imigrantes. Alguns deles são:

  • Pomerano (Pommeranisch);
  • Baixo Alemão (Plattdeutsch);
  • Hunsrücksch (vulgarmente chamado de Alemão Cachorro);
  • Westfaliano (Vestphalenisch);
  • Bávaro (Bayerisch);

Entre os descendentes de alemães no Brasil, seguramente o dialeto mais difundido é o Hunsrücksch. Alguns grupos relativamente minoritários, principalmente em Santa Catarina, falam o Hochdeutsch. Outros grupos ainda falam dialetos como o Suábio (Entre Rios/PR).

Pomerano

O Pomerano (Pommeranisch) é falado em algumas colônias no Brasil, podendo-se citar como exemplo a colônia estabelecida na região de Pomerode/SC, que recebeu seu nome em alusão à região de onde vieram seus integrantes originais (Pomerânia). Este é um dialeto de origem Eslava.

Também no estado do Rio Grande do Sul muitos descendentes de imigrantes alemães falam o pomerano. Praticamente por todo o estado podem-se encontrar pessoas que falam este dialeto. Em Sinimbu/RS (próximo a Santa Cruz do Sul) por exemplo, boa parte das famílias daquela localidade são descendentes de pomeranos.

Em Santa Maria do Jetibá, no Espírito Santo, existe uma colônia de descendentes de pomeranos, onde este dialeto foi adotado como língua oficial do município, juntamente com o português.

Baixo Alemão

Com as nomenclaturas de Alemão do Norte (Norddeutsch) ou Baixo Alemão (Plattdeutsch), estes pertencem a uma classe de dialetos falados em diversas regiões do norte da Alemanha. Recebe este nome por serem os dialetos falados nas regiões topograficamente mais baixas da Alemanha (Norte). Parte dos imigrantes alemães que vieram ao Brasil, faziam uso de algum destes dialetos, sendo portanto conhecido como Baixo Alemão (Plattdeutsch) o dialeto falado por seus descendentes.

Uma particularidade do Baixo Alemão é de que as vogais são prolongadas, se comparado com o Alto Alemão, se tornando até mesmo ditongos. Por exemplo, em vez de se dizer dewohnen (“morar”), diz-se wounen. Ao invés de se dizer Kuh (“vaca”), diz-se Kou e às vezes até mesmo Kau (como em inglês). Outros exemplos de particularidades deste dialeto são: Haus (“casa” em Alto Alemão), se torna Huus. Schwein (“porco” em Alto Alemão) se torna Swien.

Em termos de construção das orações, o Baixo Alemão tem uma predileção por orações relativas. Comparando-se algumas frases no Alto Alemão e Baixo Alemão tem-se o seguinte:
– Alto Alemão: die einfahrenden Schiffe (os barcos entrando),

– Baixo Alemão: De Schäpen, die rinkomm (os barcos que entram).

Segundo alguns autores, o Baixo Alemão não pode ser considerado propriamente um dialeto, mas sim uma variante lingüística com gramática e vocabulário próprios. Embora o Baixo Alemão do Estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, por exemplo, mal seja falado ativamente pelas gerações mais jovens, o dialeto influencia quase todos os moradores daquele estado, de modo que termos próprios e a típica melodia do Baixo Alemão se infiltraram na língua standard (Alto Alemão).

O Baixo Alemão se desenvolveu de uma mistura de todas as línguas faladas no Báltico. É possível se traçar paralelos com o sueco, inglês e até com as línguas bálticas. A semelhança com o inglês é reforçada pelo fato de que o Baixo Alemão não passou pela chamada Segunda Mutação Consonântica (Zweite Lautverschiebung) do alemão.

Sendo assim, no baixo-alemão as consoantes P, T e K permaneceram iguais ao alemão antigo, em vez de mutarem como no Alto Alemão (alemão do sul e central que acabou se tornando a língua padrão). A título de exemplo pode-se citar: Pfeife (“cachimbo”) ficou Piepe (inglês: pipe), Apfel (“maçã”) ficou Appel (inglês: apple) e erzählen(“narrar”) ficou vertellen (inglês: to tell).

Em torno do ano 1.500 A. D. o idioma escrito foi padronizado de acordo com a variante falada no centro e no sul do país (Alto Alemão), o que fez com que o Baixo Alemão se torna-se um dialeto apenas falado, o que facilitou que o mesmo se diversificasse em variantes regionais com o passar do tempo, na ausência de uma norma escrita unificadora. Um exemplo disso é o fato de que atualmente o Baixo Alemão da Baixa Saxônia se diferencia do hamburguês e do dialeto de Mecklemburgo.

No Brasil, principalmente nos estados do sul, é possível encontrar falantes do Baixo Alemão, com destaque especial para o estado do Rio Grande do Sul.

Para falantes do Alto Alemão, é muito difícil, senão praticamente impossível, compreender o Baixo Alemão, sendo que alguns autores afirmam que este dialeto mais se aproxima do Holandês do que do Alto Alemão.

Hunsrücksch

Este parece ser o dialeto mais difundido entre os descendentes dos imigrantes alemães no Brasil.
Foi trazido para o Brasil através dos imigrantes que vieram da região do Hunsrück, próximo ao rio Mosel na Alemanha. É também chamado vulgarmente de Alemão Cachorro (em Alto Alemão – Hund: Cachorro).

Para os falantes de Hochdeutsch (Alto Alemão) é possível compreender, em partes, este dialeto. Algumas das particularidades deste dialeto, se comparado ao Alto Alemão, são a troca das letras “B” por “P”, “T” por “D” e “G” por “C”. Por exemplo, Buch (livro) fica Puch e Tag (dia) se torna Dag.

Pelo fato de grande parte dos imigrantes alemães terem o Hunsrücksch como dialeto materno, fez com que dialetos com número reduzido de falantes fosse aos poucos sendo substituído por este, dentro das colônias alemães. Veja um vídeo de um brasileiro, descendente alemão, falando o Hunsrücksch. No vídeo ele chama o dialeto de Hunsrückadeitsch (cique aqui). Neste link é possível se consultar um dicionário on line de Hunsrickisch.

Westfaliano 

O Westfaliano é um dialeto trazido por imigrantes da região do atual estado alemão de Nordhein-Westfalen, sendo o mesmo um dialeto proveniente do Baixo Saxão Antigo.
Dois grupos principais de imigrantes falantes deste dialeto vieram ao Brasil. Os primeiros são de confissão protestante, que se fixaram principalmente nas cidades gaúchas de Teutônia, Imigrante, Colinas e Westifália.

O outro grupo, de religião católica se fixou em Santa Catarina, principalmente nas cidades de Águas Mornas, São Bonifácio, São Martinho, Braço do Norte, São Ludgero, Armazém, Santa Rosa de Lima, Rio Fortuna e Grão Pará. Nestas localidades ainda é possível encontrar muitos falantes deste dialeto, apesar de muitos terem adotado o Hunsrücksch como dialeto de uso corrente (principalmente no Rio Grande do Sul), pelo fato de haver grande número de falantes deste último.

Os falantes deste dialeto correntemente o chamam de Platt (baixo), sendo este um dos dialetos que menos guarda qualquer semelhança com o Alto Alemão.

Entre os anos de 1.200 A.D. e 1.600 A.D. o Baixo Saxão Antigo, de onde provem o Westfaliano, era a língua franca em toda a costa do mar Báltico e do mar do Norte, possuindo também escrita e todos os direitos de uma língua verdadeira. A influencia deste dialeto fez-se também pelo fato de que o mesmo também foi adotado como a língua hanseática internacional do comércio. Com a queda no poderio econômico da liga hanseática, houve também o declínio no uso deste dialeto.

Bávaro 

O dialeto Bávaro é falado no Brasil principalmente por imigrantes alemães instalados em Santa Catarina, por exemplo no município de São Bento do Sul, próximo a Joinville, mas com falantes também no Rio Grande do Sul.

É um dialeto marcado pelas abreviaturas e diminutivos, se comparado com o Alto Alemão, sendo proveniente principalmente da região da Baviera. O Bávaro é falado não só na Alta e na Baixa Baviera, mas também no Alto Palatinado e em certas partes da Áustria. Entretanto, este dialeto sofre ligeiras alterações de acordo com a região onde o mesmo é praticado dentro da Alemanha e/ou Áustria.

Algumas palavras são ligeiramente diferentes neste dialeto, como por exemplo, ovos são “Ao” e não “Eier”, tomates são “Baradeiser” e não “Tomaten”. Outra particularidade é de que o ditongo “ei” (pronunciado “ai”) vira “oa”. “I hoas” corresponde a “ich heisse” (Eu me chamo) e “I woas” a “ich weiss” (Eu sei), com algumas poucas exceções. Uma delas é a cor branca “weiss”, que continua sendo “weiss”, e não “woass”. O verbo “vir”, “kommen”, é pronunciado com “e”: “kemmen”. O mesmo se aplica ao verbo “conhecer”, “kennen”, que se transforma em “kinnen”. A conjugação do verbo “kommen” segue da seguinte maneira:

Alto Alemão         Bávaro

Ich komme                I kimm

Du kommst               Du kimmst

Ihr kommst               Ihr kimmt

Wir kommen             Wir kemmen

Outro exemplo das abreviações adotadas no Baviero é: “Deskonnedaschosong”, quem em Alto Alemão seria: “Das kann ich Dir schon sagen” (Pode deixar que eu já digo).

Outro exemplo: “Gödestras owe”, significando apenas apenas que você deve descer a Goethestrasse (Rua Goethe). A palavra “owe” indica a direção para baixo.

Outra particularidade do dialeto é a frequência em que os diminutivos são adotados. Um quadro (“Bild”) é “Buildl”, um barril (“Fass”) é categoricamente um “Fassl”, roda (“Rad”) é “Radl”, tábua (Brett) Brettl, independente das dimensões realmente serem diminutas ou não. Assim, uma folha (Blatt) é sempre uma folhinha (Blattl).

O Benefício do Conhecimento do Dialeto Familiar’ para pesquisas genealógicas

Considerando que em muitos dos registros civis e eclesiásticos a forma como foi escrita o sobrenome dos imigrantes e seus descendentes era da maneira como o mesmo era pronunciado, e não necessariamente na maneira como ele deveria ser escrito, torna-se assim importante conhecer a maneira como o sobrenome é pronunciado no dialeto dos antepassados.

Um exemplo disso pode ser observado no registro de batismo católico de Vicente Seelig.

No Alto Alemão este sobrenome seria lido como “Zêlich”, com o “S” tendo o som de “Z”, os dois “ee” tendo o som de um “e” prolongado, e a letra “g” sendo lida como um “ch”.

Como provavelmente o padre que batizou Vicente não teve acesso a qualquer documento de sua mãe, Maria Helena Seelig, para que pudesse saber a grafia correta do sobrenome, o mesmo escreveu o sobrenome de Vicente como o era pronunciado no dialeto da mãe da criança. No registro em questão o sobrenome está grafado como “Celich” ao invés de “Seelig”.

A forma correta de pronuncia do sobrenome pesquisado no dialeto a que pertecente a familia em pesquisa pode ser descoberta através da consulta a pessoas mais velhas da família (talvez ainda falantes deste dialeto), ou em consulta a membros de comunidades onde se fale este dialeto.

A Influência do Português e/ou Latim nos Sobrenomes Alemães

Outro motivo que pode ocasionar variações na escrita de um sobrenome alemão no Brasil é o fato do idioma alemão possuir fonemas e letras que o português não possui.

A seguir apresentam-se os principais.

Caracter Alemão Som Equivalete ou Aproximado em Português Adaptações ao Português Exemplos de Nomes/Sobrenomes Alemães Modificados
ä é e, ae Jäger -> Jaeger
ö “e” porém com os movimentos da boca como se fosse ser prounciada letra “o” oe Schönherr -> Schoenherr
ü “i” porém com os movimentos da boca como se fosse ser pronunciada letra “i” i Küntzer -> Kintzer
β Ss ss Meuβlich -> Meusslich

Como o idioma alemão sofreu influência do latim (principalmente durante o perído de dominação romana sobre a região da atual Alemanha – Gália), algumas das substituições de fonemas e vogais nos sobrenomes alemães ocorreram ainda em solo alemão, e não necessariamente quando chegaram ao Brasil.

Referências Bibliográficas Consultadas

Schauren, D. A., A Busca das Origens – História e Genealogia da Família Schauren, Editora Oikos, 2011, 462 p.

Deutsch Welle, Atlas de Dialetos Alemães, disponível em <http://www.dw.de/atlas-de-dialetos-alem%C3%A3es/a-1597717>. Acesso em 21 de junho de 2013.

Alhert, L., Cultura Westfaliana: Percepções sobre a sua Realidade, Importância e Expectativas Futuras no Município de Westfália, Monografia apresentada na Disciplina de Metodologia de Pesquisa do Curso de Especialização em Aprendizagem da Língua Alemã, Instituto Superior de Educação Ivoti, 2012, 69 pp.

Autoria:

Alemanha, Os Idiomas alemães na Wikipédia. Acesso em 31.12.2017.

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