Como tudo começou

Papai sempre trabalhou muito com jornada diária ultrapassando 10 horas de trabalho, mas em que pese essa correria, ele sempre nos encantou com momentos mágicos quando discorria a respeito de nossos antepassados, povoando nossa infância – eu e minha irmã Edith – com histórias e estórias que falavam do velho mundo, onde se acreditava que nossa família era oriunda da distante Alemanha e de fatos vividos pelos nossos parentes em nosso querido Brasil.

Cresci então nesse clima, alimentando e depois desenvolvendo o sonho de um dia iniciar uma pesquisa genealógica que comprovasse realmente qual a origem de nossa família, o local de onde partiram nossos ancestrais no velho mundo, o local onde aportaram os primeiros Melges em nosso querido Brasil, e qual o nome do navio que aqui nos trouxe. Com o passar dos tempos e a vida nos beneficiando com os conhecimentos advindos da idade, experiência e recursos, conseguimos iniciar a transformação do sonho em realidade, e note-se que naquela altura dos acontecimentos o sonho não era mais somente de pai e filho, mas já tinha se estendido para os demais membros da família e demonstrado que inúmeros outros parentes de outras cidades e ramos da família também tinham o mesmo anseio a satisfazer.

As conversas e discussões se avolumaram, sempre à espera de um momento ideal, até que um dia, papai, depois de uma vida inteira dedicada a labuta em prol da sobrevivência de seus entes queridos, viu-se obrigado a aposentar-se por motivos médicos, os quais se por um lado o impedia de viajar e desenvolver trabalhos externos cotidianos, por outro lado propiciou que continuasse sua vida agitada dentro de casa.

E assim papai decidiu desenvolver um trabalho artesanal de desenhos e pintura em couro, tendo chegado a participar de diversas exposições de arte em Lins e Londrina, os quais não ocupavam a totalidade de seu tempo disponível, nem de sua disposição para o trabalho; e assim, descobrimos que havia chegado a hora de iniciarmos a realização de nossos antigos anseios, pois naquele momento, aliou-se os dois fatores importantes que futuramente iríamos descobrir, foram diretamente os responsáveis pela concretização do plano.

Papai tinha o tempo, a paciência e a dedicação necessária para sistematizar as informações que já possuíamos e as que certamente iríamos conseguir, e eu, que havia conseguido montar e manter um bom escritório de contabilidade, possuía algumas condições que me permitiam viajar e realizar pesquisas fora de nosso município, descobrindo e indo atrás de outros membros da família que ainda não conhecíamos, além de já ter conhecimento suficiente para descobrir conhecidos em cidades distantes e deles tirar partido em nossas investigações.

E assim, iniciamos nosso trabalho de pesquisa no final do ano de 1.977, com papai me acompanhando em pequenas viagens tais como as que realizamos para a região de Torrinha, Santa Maria da Serra, Águas de São Pedro e Piracicaba, e outras em que isoladamente encetei à Niterói, Rio de Janeiro, Petrópolis, Apucarana, Ibitinga e outras localidades.

Com o decorrer dos tempos, acabei incorporando alguns costumes ao meu viver que iriam auxiliar bastante nossas pesquisas; dos quais, o de imediatamente pesquisar a lista telefônica de qualquer nova região em que estivesse visitando, o qual sempre nos tem proporcionado agradáveis surpresas quando descobrimos novos membros da família.

Por outro lado, papai e eu cultivamos o costume de discutir o assunto com qualquer parente que apareça, mesmo que suspeitássemos que ele não tinha o menor interesse pelo assunto, e todos aqueles que se interessaram, acabaram levando consigo cópias de nossos trabalhos, que foram se multiplicando entre os outros, levando a mensagem do interesse em descobrir nossas raízes e o desafio da pesquisa.

Papai por outro lado, passou a visitar todos os parentes de sua faixa etária de nossa cidade, os quais em sua maioria também tem o anseio de descobrir a origem de nossa família e checar as informações de que cada um é detentor.

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